A Marcha
“Nascida numa rua, feita por uma comunidade e mantida por uma família que nunca deixou a tradição cair.”
A Marcha Vasco da Gama nasceu em 1991, pela mão de Arcelina Rocha, a partir da Rua Vasco da Gama, uma das ruas centrais de Quarteira. Antes de ser palco, cartaz ou evento oficial, foi uma vontade de vizinhança: pessoas da rua que se juntaram para pôr uma marcha de pé.
No início não havia financiamento. Havia mãos, tempo e orgulho. As roupas, os arcos e cada detalhe eram feitos pela própria comunidade, quase sempre à noite, depois do trabalho. A primeira apresentação aconteceu a 12 de junho de 1991. Desde esse dia, a rua passou a ter uma voz própria nos Santos Populares de Quarteira.
Antigamente, as marchas passavam por vários pontos de Quarteira e chegaram a atuar no relvado da vila. Mais tarde, o evento ganhou organização formal com a criação da APROMAR, em 1995, em articulação com a Junta de Freguesia de Quarteira e a Câmara Municipal de Loulé.
O que começou como trabalho de rua tornou-se parte do maior evento de Quarteira. Hoje, a vila é conhecida como a capital dos Santos Populares do Algarve, e a Marcha Vasco da Gama continua a carregar essa raiz popular: feita de ensaios, de família, de bairro, de gente que trabalha para que a tradição volte todos os anos à rua.
A Vasco da Gama distingue-se por manter na sua organização a fundadora original, Arcelina Rocha. Ao longo do tempo, tornou-se também uma marcha de família, com a entrada cada vez mais presente da filha, Soraia Simões, na organização, nos figurinos, nas artes plásticas aplicadas, na cenografia, na coreografia e nos ensaios.
Santiago Simões, neto de Arcelina, marcha desde 2010, quando tinha apenas 18 meses. Em 2025, essa presença passou também para a criação: como letrista, compositor, responsável por arranjos musicais e já ao lado da mãe na coreografia e nos ensaios. A marcha cresceu, mas continua a ser passada de mão em mão, como se passa uma herança viva.
O percurso também teve momentos difíceis. Além da interrupção dos anos da pandemia, a Vasco da Gama não saiu em 2008 e viveu um período em que Arcelina se afastou por motivos familiares, assumindo então a Marcha Bartolomeu Dias. O regresso à Vasco da Gama reforçou aquilo que já se sabia: esta marcha é, antes de tudo, uma ligação profunda entre pessoas, rua e memória.
Durante anos, as marchas dançaram ao longo do calçadão de Quarteira, com ponto principal no Largo da Gaivota até 2019. Depois da paragem provocada pela pandemia, regressaram em 2023 com novo palco no Passeio das Dunas, onde continuam a desfilar e a dançar duas vezes por noite.
A tradição mantém as noites dos três santos: Santo António, a 12 de junho; São João, a 23; e São Pedro, a 28. Em 2026, pela primeira vez, a grande procura levou à introdução de uma noite extra, a 19 de junho. Mudam os palcos, cresce o público, mas a missão continua a mesma: pôr Quarteira a marchar.
Linha do tempo
1968
Padre Elísio Dias, pároco de Quarteira, lança as primeiras Marchas Populares na vila, dando início a uma tradição que iria crescer nas décadas seguintes.
1991
Arcelina Rocha funda a marcha a partir da Rua Vasco da Gama. Sem financiamento, a comunidade constrói roupas, arcos e detalhes para o primeiro desfile, a 12 de junho.
1995
Nasce a Associação Promotora de Marchas Populares, que passa a organizar oficialmente o evento com a Junta de Freguesia de Quarteira e a Câmara Municipal de Loulé.
2019
Até 2019, o calçadão e o Largo da Gaivota foram pontos centrais da atuação das marchas em Quarteira.
2023
Depois da paragem da pandemia, as marchas regressam com novo palco no Passeio das Dunas, onde passam a dançar duas vezes por noite.
2025
Depois de marchar desde 2010, Santiago Simões junta-se ao trabalho criativo da família, ao lado de Soraia Simões e Arcelina Rocha, na música, coreografia e ensaios.
2026
A procura crescente pelo evento leva à introdução de uma quarta noite, a 19 de junho, além das noites tradicionais dos três santos.
Hoje
A Marcha Vasco da Gama mantém a fundadora original na organização e continua a afirmar-se como uma das marchas mais emblemáticas da vila.
A marcha das marchas.
Bairrismo Vasco da Gama, hoje e sempre.
Parabéns mais uma vez à Marcha Vasco da Gama, e obrigado por serem a única a manterem a tradição presente.
A Vasco da Gama foi a única que ainda mostrou o que eu fui lá ver. Gostei mesmo muito de tudo.
Esta é marcha e ponto final. Somos tradição, e pronto, está dito. Quando chegamos, Quarteira pára. Porque nós somos a Marcha da Rua Vasco da Gama.
Não tenho palavras. Marchantes maravilhosos a dançar do início ao fim, com tanta garra e emoção. Uma coreografia que à partida era difícil mas que ficou magnífica. Obrigada, família Vasco da Gama.
Tive que ver novamente essa beldade que foi o desfile de marcha 2025. Todos de parabéns. Saudade.
Uma marcha incrivelmente bonita, em todos os sentidos. Que brio!
Perguntas frequentes
A Marcha Vasco da Gama é uma marcha popular de Quarteira, no Algarve, fundada por Arcelina Rocha em 1991 a partir da Rua Vasco da Gama. Reúne marchantes de várias idades e apresenta-se nos Santos Populares, no Passeio das Dunas.
A fidelidade à raiz. A Marcha Vasco da Gama segue de perto a tradição das marchas de Lisboa, a nascente das marchas populares, dos arcos e da indumentária aos padrões do desfile. É essa entrega à tradição, mantida há mais de trinta anos, que faz dela uma das marchas mais singulares e emblemáticas de Quarteira.
Desde 1991. Desfilou pela primeira vez a 12 de junho desse ano, depois de nascer do esforço conjunto das pessoas da Rua Vasco da Gama. À exceção de interrupções pontuais, incluindo a pandemia, mantém-se como uma das presenças históricas das Marchas Populares de Quarteira.
Todos os anos, em junho, nas noites dos três santos populares: Santo António, São João e São Pedro. Os desfiles realizam-se no Passeio das Dunas, em Quarteira.
Cada ano traz um tema novo, uma canção nova e uma coreografia nova. Os trajes, os arcos e os adereços são criados de raiz para esse tema, fruto de meses de ensaios e de trabalho manual. Os marchantes mantêm-se de ano para ano.
A marcha está sempre aberta a novos marchantes. Antes da inscrição oficial, podes sinalizar o teu interesse na página de pré-inscrições deste site e acompanhar aí os próximos passos.
A pré-inscrição é o primeiro passo para mostrares que queres marchar na próxima edição.
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